quarta-feira, 14 de abril de 2010

domingo, 11 de abril de 2010

"A prayer for the wild at heart that are kept in cages..."

Uma frase puta-que-pariu-mente perfeita! Daquelas que te faz pensar que a inspiração pode realmente ser uma entidade divina que possui um corpo humano.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Crítica: Remember Me - Lembranças

O filme começa com a palavra "Remember", que parece escrita por fumaça, e logo depois esvai-se, como se desfeita por um sopro, formando a palavra "me". Além do próprio título essa forma de apresentação frisa a mensagem que o longa deseja passar. A efemeridade do momento e as marcas que deixamos em nossa curta experiência.
O personagem principal, a quem dá forma Robert Pattinson, chega a reforçar essa idéia, quando solta a frase "You once told me, our fingerprints don't fade from the lives we touch. Is that true for everybody, or is it just poetic bullshit?" (Você me disse uma vez que nossas impressões digitais não se apagam das vidas que nós tocamos. Isso é verdade, ou é só baboseira poética?). E bem, o filme ajuda a mostrar que, de fato, não é apenas baboseira poética.
Ainda com a ajuda da belíssima máxima de Gandhi, essa idéia é mais uma vez verbalizada, sendo entoada no início e no final do filme. No começo, Tyler Keats Hawkings, o protagonista, ensaia a citação de Gandhi, sem terminá-la, e misturando a ela sua própria opinião: "Gandhi said that whatever you do in life will be insignificant. But it's very important that you do it. I tend to agree with the first part." ( Gandhi disse que o que quer que você faça na vida será insignificante. Mas é muito importante que você faça. Eu tendo a concordar com a primeira parte).
O enredo começa a se desenrolar, de forma até bastante previsível na maioria das vezes, mas sempre tocante. Os clichês hollywoodianos de um filme comercial como é Remember me, são até sublimados, permanecem no ponto cego da visão crítica do filme como um todo, pois a mensagem que este filme comercial carrega é a mais artística possível. É a mais bela e poética possível.
Poética, ponto. Esqueçamos a parte baboseira poética, esta deixaremos para os mais cínicos, ou até mesmo aleijados de sensibilidade. O que há de mais notável, de mais palpável nesta vida, do que as marcas invisíveis que deixamos noutras vidas?
O filme me pegou de surpresa. Confesso que entrei na sala de cinema esperando algo levinho, um romance água com açúcar, uma maneira irrelevante de passar o tempo. Saí de olhos marejados. O romance é apenas detalhe, a narrativa gira em torno de algo bem mais grandioso, bem mais abrangente que qualquer tipo de amor.
Gira em torno da própria vida, do destino, do mundo! Gira em torno de nossas próprias cabeças, de nossos umbigos, de acordo com nossos próprios relógios. O que fazemos com nosso tempo, isso que importa. O que o tempo faz conosco, para aqueles visionariamente dependentes.
Fiquei sinceramente fascinada com o filme. Até Robert Pattinson conseguiu convencer! Não digo que sua performance foi digna de Oscar, mas o que ele mostrou na telona foi uma evolução fenomenal do vampiro da saga Crepúsculo para o jovem existencialista que leva o nome de um poeta no seu middle name.
Um astro de sequência adolescente liderando um filme sério. Será que a isto se deve as críticas do filme serem predominantemente negativas? Todas as críticas que li admitem que o filme não é de todo mau, mas ainda assim pendem para o lado ruim. E o engraçado é que todas tocam no mesmo ponto, e, pasmem, usam até as mesmas palavras para depreciá-lo! "A surpresa com a reviravolta do final", o quanto o final do filme "é desrespeitoso e apelativo para a filosofia carpe diem".
Coincidência? Ou será que os críticos simplesmente perderam a habilidade de criticar, e apenas deixaram-se contaminar com os pontos de vista alheios? Por que o final, que insere um fato real na narrativa fictícia, não pode simplesmente sustentar toda a trama, mesmo que balançando-a. Não se trata de uma "reviravolta", palavra precisamente eleita para ilustrar toda crítica desta película, pois o filme inteiro prepara o terreno para um desfecho trágico iminente.
O final dramático escolhido poderia ser substituído por qualquer outro final dramático, importado da realidade ou da ficção. A closura escolhida não muda ou compromete a mensagem que o filme inteiro carrega, pelo contrário, acentua. Sem mencionar que aquele poderia ser o final de uma vida que se encerrou naquele dia, daquela maneira, naquele lugar. A história de Remember Me é universal, e, se ambientada em Nova Iorque, por que não ser a história de um nova iorquino como Tyler?
Finalmente, nos últimos minutos de filme, temos a conclusão da idéia de abertura, tanto de Gandhi quanto de Tyler que, por sua vez, parece não mais concordar apenas com a primeira parte, mas com a sentença inteira, ilustrando como a passagem, do filme ou da vida, o fez mudar de idéia. "Gandhi said that whatever you do in life will be insignificant, but it's very important that you do it because nobody else will." (Gandhi disse que o que quer que você faça na vida será insignificante. Mas é muito importante que você faça, porque ninguém mais fará.)

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Remember me

Remember me, que filme sensacional! Da primeira à última frase, sensacional. Me cativou bastante, porque mais uma vez tive a profunda sensação tocante de estar vendo na telona o filme que se passa dentro de mim. Minhas filosofias de vida, meu modus operandi, moi même. Eu, ali naquela tela. Robert Pattinson, que atuou muito bem, por sinal, é meu eu masculino naquele filme.
Eu sei, sou ciente disso, que penso como um homem, e não vou parar pra explicar isso aqui agora porque não é o momento. Tô aqui pra falar do filme tocante que cutucou lá no fundo de minh'alma dizendo: "Ei, tu não tá sozinha nesse caminho que resolveu tomar. Alguém mais nesse mundo também pensa assim, mesmo que seja um personagem fictício de um filme".
Entrou facinho pros meus filmes preferidos. Já prevejo que irei assistí-lo de novo, talvez amanhã mesmo. Eu levo muito a sério essas coisas profundas e belas e tocantes que falam por ti, que traduzem teu pensamento em filmes, livros, músicas, telas, fotografias. Isso, por isso é que eu falo que arte é a coisa mais importante dessa vida, com essa capacidade de elevar o espírito, de comover. É lindo, é sensível. E porra, eu valorizo por demais a sensibilidade.
Tô escrevendo pra expor, por pra fora, um pouquinho do que eu senti ao assistir esse filme, porque quando me deparo com coisas assim, tão exteriores a mim, e no entanto, tão minhas, as palavras e as sensações ainda ficam presas aqui. O filme ainda tá preso aqui, ainda não consegui digerir e colocar pra fora todas as minhas impressões. Ainda não tá na hora da resenha desse filme nascer completamente.

As frases mais puta-que-pariumente-marcantes:

Gandhi said that whatever you do in life will be insignificant. But it's very important that you do it. I tend to agree with the first part.

You once told me, our fingerprints don't fade from the lives we touch. Is that true for everybody, or is it just poetic bullshit?

Gandhi said that whatever you do in life will be insignificant, but it's very important that you do it because nobody else will. Like when someone comes into your life and half of you says: "You're nowhere near ready". And the other half says: "Make her yours forever".

domingo, 21 de março de 2010

Dialetos, ilhas e pontes - A lack of communication



Cada pessoa é um universo. Cada cabeça é um mundo, completamente diferente de todos os outros mundos existentes nas outras cabeças. Não há apenas um planeta Terra, há mais de 6 bilhões de planetas terras, em um único planeta. Subjetividade, isso que eu quero dizer.
Sabe aquele famoso clichê "cada um é cada um, e cada qual é cada qual"? Pois é, por mais ridículo e banal que possa parecer é a pura verdade. Peço licença desde já ao leitor, para avisar que este texto estará recheado de pleonasmos intencionais.
Dialetos, isso é que eu quero dizer. O que eu falo pode ser completamente diferente do que você escuta (interpreta). No dicionário, comunicação está como transmissão de informações, e é justamente aí nessa transmissão que a informação se perde, se muda. No ar, no vazio de palavras, no silêncio de significados, na hiância. No firmamento que é essa transmissão, a informação, as palavras são como estrelas em suspensão.
Cada pessoa fala um dialeto particular. Muitas vezes, ao nos expressarmos, percebemos que a pessoa a quem nos comunicamos entende de forma completamente diferente o que dizemos. Muitas vezes o outro não nos compreende. Quando isso acontece, essa lack of communication, o ouvinte projeta na falha os ecos das palavras de seu próprio dialeto. Mind the gap, please! Ninguém se entende. De repente há briga, há gritos, divergência. Discussão, se essa palavra pudesse ser sempre substituída por conversa, em vez de ser sinônimo de briga, o contraste entre os dialetos se minimizaria, as pessoas se fariam inteligíveis.
John Bon Jovi já cantava "No man is an island", John Donne, poeta inglês homônimo ao cantor, há séculos antecipou: "No man is an island entire of itself; every man is a piece of the continent, a part of the main" (Homem nenhum é uma ilha completo em si próprio, cada um é um pedaço do continente, uma parte do todo). Há um tempo atrás, eu vi em uma série (90210), uma teoria diferente desta, que me agradou ainda mais. Dizia que cada homem é uma ilha, e os relacionamentos são como pontes. Uma pessoa constrói metade da ponte, outra pessoa constrói a outra metade, e elas tentam se encontrar no meio.
Sabe, eu acredito que a comunicação deveria funcionar como a ponte entre as ilhas, aproximando as pessoas. No oceano do vazio, você constrói sua parte da ponte, e o outro constrói a outra parte. A comunicação deve fazê-los encontrar-se no meio, não fazer com que as ilhas se afastem mais e mais. É preciso encontrar um dicionário que ajude a traduzir nossos dialetos.

quinta-feira, 18 de março de 2010

ADULTOS

Os adultos fazem negócios.
Têm rublos nos bolsos.
Quer amor? Pois não!
Ei-lo por cem rublos!
E eu, sem casa e sem teto,
com as mãos metidas nos bolsos rasgados,
vagava assombrado.
À noite
vestis os melhores trajes
e ides descansar sobre viúvas ou casadas.
A mim
Moscou me sufocava de abraços
com seus infinitos anéis de praças.
Nos corações, nos relógios
bate o pêndulo dos amantes.
Como se exaltam as duplas no leito do amor!
Eu, que sou a Praça da Paixão, *
surpreendo o pulsar selvagem
do coração das capitais.
Desabotoado, o coração quase de fora,
abria-me ao sol e aos jatos de água.
Entrai com vossas paixões!
Galgai-me com vossos amores!
Doravante não sou mais dono de meu coração!
Nos demais - eu sei,
qualquer um o sabe -
O coração tem domicílio
no peito.
Comigo
a anatomia ficou louca.
Sou todo coração -
em todas as partes palpita.

Oh! Quantas são as primaveras
em vinte anos acesas nesta fornalha!
Uma tal carga
acumulada
torna-se simplesmente insuportável.
Insuportável
não para o verso
de veras.


- Vladimir Maiakóvski

domingo, 14 de março de 2010

2001, uma odisséia no espaço - O futuro do Pretérito






Finalmente assisti 2001, uma odisséia no espaço, e apenas ao assistí-lo pude compreender porque é considerado uma das pedras de sustentação da muralha "cinemática". O filme mostra um futuro nem tão distante da data de sua criação, mas definitivamente séculos distante da realidade. Stanley Kubrick criou um universo inteiramente novo em 2001. Hoje, estamos no ano de 2010, e ainda bem distantes da visão futurista do diretor. Considerei até uma certa ingenuidade da parte de um gênio de visão tão inovadora, imaginar que em apenas trinta e poucos anos o mundo mudaria tanto, e nós já estaríamos conquistando o espaço.
Então eu, do sofá da minha sala, olho pra trás, pro ano de mil novecentos e sessenta e oito, ano de lançamento do filme, e percebo que muitas das minhas expectativas em relação ao futuro convergem com aquelas, que imaginaram há anos atrás, um futuro que hoje já me é passado. Aí é que eu penso em como caras como Kubrick ajudaram a esculpir todo um imaginário de gerações futuras a partir de sua própria imaginação, a partir do arquivo imagético de sua cabecinha. Sim, hoje, em 2010, ainda sem odisséias no espaço, pessoas como eu e você imaginamos odisséias no espaço. Temos essa visão de que o futuro será minimalista, que os computadores substituirão os humanos em muitas funções de inteligência e raciocínio, e talvez até terão emoções. Que será possível pegar uma espaçonave como se pega um avião, que as roupas serão assim e assado, que o moderno deverá ter essa aparência, e o retrógrado aquela, exatamente como em 2001.
Não que eu esteja querendo dizer que naquela época ainda não predominavam essas idéias, e que todas elas surgiram da mente kubrickiana, não é isso. O que eu digo é que ele deu forma a essas idéias, esculpiu mesmo, moldou nosso imaginário com as cenas de sua odisséia espacial. Ora, esse filme foi responsável e criador de uma estética completamente inovadora, dentro e fora do cinema. Não é à toa que é considerados por muitos a mais grandiosa, e talvez também a mais ambiciosa, obra de ficção científica de todos os tempos, e um dos filmes mais influentes do cinema até os dias de hoje.