"Eles não sabiam como se passeia. Andaram sob a chuva grossa e pararam diante da vitrine de uma loja de ferragem onde estavam expostos atrás dos vidros canos, latas, parafusos grandes e pregos. E Macabéa, com medo de que o silêncio já significasse uma ruptura, disse ao recém-namorado:
- Eu gosto tanto de parafuso e prego, e o senhor?"
"Quanto a mim, só sou verdadeiro quando estou sozinho."
"Despersonalizo-me e tiro-me de mim como quem tira uma roupa. Despersonalizo-me a ponto de adormecer."
- A hora da estrela, C.L.
(Tava separando uns trechinhos desse livro que li essa semana. Esperava algo bem diferente, apesar de ter gostado bastante. Acho que se o livro correspondesse às expectativas minhas, não teria sido escrito por Clarice, ela não poderia tê-lo escrito diferente).
.
Aí vi alguns vídeos da Miranda July (essa mulher é realmente uma inspiração!). Deixo esse aqui:
*Clica* Miranda July + Blonde Redhead
.
Tava mal dormida por ter saído ontem e ido ao alemão hoje cedo. Aprendi que a bebida mais consumida na Alemanha é o café, os alemães ingerem 280l por ano. A famosa bier vem em terceiro, com 250l/ano, e em segundo vem as bebidas refrescantes como água (que eles preferem com gás segundo meu Herr professor) e o iced tea.
Bem aleatório isso que eu falei, hein? Mas enfim, hoje tô achando que alemão nem é tão difícil assim, e francês é até mais. Deve ser porque eu não tenho tanta confiança na atual professora como tinha em Eva, ou só porque francês é une langue vraiment très difficile.
Enfin, meio de mau humor (talvez pelo pouco sono, apesar do cochilo vespertino), tava pior e já melhorou um pouco. Aí tô ouvindo o Devendra.
*Bad girl - Devendra Banhart*
.
Vou desligar, então.
sábado, 5 de junho de 2010
sábado, 29 de maio de 2010
E as rosas no palco?
O próximo ato já começou e não percebi. Perdi-me na peça em que sou atriz principal. Fiz-me espectadora, assistindo do alto, intocável, distante, dispersa. O tempo passou e não vi. Surdei-me aos aplausos; e as vaias, escutei-as em todos os seus tons. Quis fugir dos holofotes, esconder-me. Tentei achar enredo, título. Batizei-a de vida e não liguei para o público. Os ingressos esgotaram-se, mas ingressei apenas uma vez. O contra-regra sou eu, eu sou o contra-regra. Decido a hora de fechar a cortina, e acabou-se o espetáculo.
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Quando o tarde demais começa...
Seria bom se pudéssemos saber quando o tarde demais começa. Se pudéssemos receber algum aviso do tipo "Você está prestes a adentrar a área do tarde demais. Cuidado, esse é um caminho sem volta!", uma espécie de alerta. Assim saberíamos a hora exata de parar, ou quando continuar.
Saber quando é tarde demais para começar algo, tarde demais para terminar algo. Quando será que cruzamos essa fronteira imperceptível? Porque quando percebemos que a ultrapassamos já é tarde demais.
Tarde demais para voltar atrás, tarde demais para avançar, tarde demais para mudar de lugar. Tarde demais para coisas bobas e tarde demais para coisas sérias. Tarde demais para parar de fumar, tarde demais para começar a estudar, tarde demais para começar uma dieta, tarde demais para amar, tarde demais se desculpar, tarde demais para agir.
Por outro lado, nunca parece ser tarde demais para se ficar omisso. A omissão parece ser constante e pontual. Nunca é tarde demais para ser tarde demais. Nunca é tarde demais para cruzar os braços em relação a algo. E é aí, quando nos damos conta dessa verdade da vida, que percebemos que o tempo não está a nosso favor, ele age contra nós.
Cada segundo que se passa é um pouco mais tarde, é um pouco mais perto do tarde demais. Como se a vida constantemente nos empurrasse em direção ao tarde demais. Alguns se deixando levar, outros ainda lutando contra.
Talvez ainda passemos por vários tardes demais durante nossa vida até que atinjamos o último tarde demais.
Os mais pessimistas dirão que até mesmo para essa derradeira hora chegaremos atrasados. Os otimistas, é claro, dirão que o tarde demais não existe, que é uma condição fictícia criada por uns e outros para alertar que nossos atos têm causas e consequências. "Nunca é tarde demais para viver!", eles dirão. Mas a vida, diferente do tarde demais, não é uma via de mão única. Do nada se veio e ao nada se voltará, e o tarde demais, mais cedo ou mais tarde, sempre cruzará nosso caminho.
Então podemos concluir uma coisa a respeito do tão misterioso e inesperado tarde demais: tarde demais nunca começa, tarde demais sempre termina. Tarde demais é uma conclusão, um ponto final. Talvez o último ponto das reticências...
Saber quando é tarde demais para começar algo, tarde demais para terminar algo. Quando será que cruzamos essa fronteira imperceptível? Porque quando percebemos que a ultrapassamos já é tarde demais.
Tarde demais para voltar atrás, tarde demais para avançar, tarde demais para mudar de lugar. Tarde demais para coisas bobas e tarde demais para coisas sérias. Tarde demais para parar de fumar, tarde demais para começar a estudar, tarde demais para começar uma dieta, tarde demais para amar, tarde demais se desculpar, tarde demais para agir.
Por outro lado, nunca parece ser tarde demais para se ficar omisso. A omissão parece ser constante e pontual. Nunca é tarde demais para ser tarde demais. Nunca é tarde demais para cruzar os braços em relação a algo. E é aí, quando nos damos conta dessa verdade da vida, que percebemos que o tempo não está a nosso favor, ele age contra nós.
Cada segundo que se passa é um pouco mais tarde, é um pouco mais perto do tarde demais. Como se a vida constantemente nos empurrasse em direção ao tarde demais. Alguns se deixando levar, outros ainda lutando contra.
Talvez ainda passemos por vários tardes demais durante nossa vida até que atinjamos o último tarde demais.
Os mais pessimistas dirão que até mesmo para essa derradeira hora chegaremos atrasados. Os otimistas, é claro, dirão que o tarde demais não existe, que é uma condição fictícia criada por uns e outros para alertar que nossos atos têm causas e consequências. "Nunca é tarde demais para viver!", eles dirão. Mas a vida, diferente do tarde demais, não é uma via de mão única. Do nada se veio e ao nada se voltará, e o tarde demais, mais cedo ou mais tarde, sempre cruzará nosso caminho.
Então podemos concluir uma coisa a respeito do tão misterioso e inesperado tarde demais: tarde demais nunca começa, tarde demais sempre termina. Tarde demais é uma conclusão, um ponto final. Talvez o último ponto das reticências...
terça-feira, 20 de abril de 2010
quarta-feira, 14 de abril de 2010
domingo, 11 de abril de 2010
"A prayer for the wild at heart that are kept in cages..."
Uma frase puta-que-pariu-mente perfeita! Daquelas que te faz pensar que a inspiração pode realmente ser uma entidade divina que possui um corpo humano.
sexta-feira, 2 de abril de 2010
Crítica: Remember Me - Lembranças
O filme começa com a palavra "Remember", que parece escrita por fumaça, e logo depois esvai-se, como se desfeita por um sopro, formando a palavra "me". Além do próprio título essa forma de apresentação frisa a mensagem que o longa deseja passar. A efemeridade do momento e as marcas que deixamos em nossa curta experiência.
O personagem principal, a quem dá forma Robert Pattinson, chega a reforçar essa idéia, quando solta a frase "You once told me, our fingerprints don't fade from the lives we touch. Is that true for everybody, or is it just poetic bullshit?" (Você me disse uma vez que nossas impressões digitais não se apagam das vidas que nós tocamos. Isso é verdade, ou é só baboseira poética?). E bem, o filme ajuda a mostrar que, de fato, não é apenas baboseira poética.
Ainda com a ajuda da belíssima máxima de Gandhi, essa idéia é mais uma vez verbalizada, sendo entoada no início e no final do filme. No começo, Tyler Keats Hawkings, o protagonista, ensaia a citação de Gandhi, sem terminá-la, e misturando a ela sua própria opinião: "Gandhi said that whatever you do in life will be insignificant. But it's very important that you do it. I tend to agree with the first part." ( Gandhi disse que o que quer que você faça na vida será insignificante. Mas é muito importante que você faça. Eu tendo a concordar com a primeira parte).
O enredo começa a se desenrolar, de forma até bastante previsível na maioria das vezes, mas sempre tocante. Os clichês hollywoodianos de um filme comercial como é Remember me, são até sublimados, permanecem no ponto cego da visão crítica do filme como um todo, pois a mensagem que este filme comercial carrega é a mais artística possível. É a mais bela e poética possível.
Poética, ponto. Esqueçamos a parte baboseira poética, esta deixaremos para os mais cínicos, ou até mesmo aleijados de sensibilidade. O que há de mais notável, de mais palpável nesta vida, do que as marcas invisíveis que deixamos noutras vidas?
O filme me pegou de surpresa. Confesso que entrei na sala de cinema esperando algo levinho, um romance água com açúcar, uma maneira irrelevante de passar o tempo. Saí de olhos marejados. O romance é apenas detalhe, a narrativa gira em torno de algo bem mais grandioso, bem mais abrangente que qualquer tipo de amor.
Gira em torno da própria vida, do destino, do mundo! Gira em torno de nossas próprias cabeças, de nossos umbigos, de acordo com nossos próprios relógios. O que fazemos com nosso tempo, isso que importa. O que o tempo faz conosco, para aqueles visionariamente dependentes.
Fiquei sinceramente fascinada com o filme. Até Robert Pattinson conseguiu convencer! Não digo que sua performance foi digna de Oscar, mas o que ele mostrou na telona foi uma evolução fenomenal do vampiro da saga Crepúsculo para o jovem existencialista que leva o nome de um poeta no seu middle name.
Um astro de sequência adolescente liderando um filme sério. Será que a isto se deve as críticas do filme serem predominantemente negativas? Todas as críticas que li admitem que o filme não é de todo mau, mas ainda assim pendem para o lado ruim. E o engraçado é que todas tocam no mesmo ponto, e, pasmem, usam até as mesmas palavras para depreciá-lo! "A surpresa com a reviravolta do final", o quanto o final do filme "é desrespeitoso e apelativo para a filosofia carpe diem".
Coincidência? Ou será que os críticos simplesmente perderam a habilidade de criticar, e apenas deixaram-se contaminar com os pontos de vista alheios? Por que o final, que insere um fato real na narrativa fictícia, não pode simplesmente sustentar toda a trama, mesmo que balançando-a. Não se trata de uma "reviravolta", palavra precisamente eleita para ilustrar toda crítica desta película, pois o filme inteiro prepara o terreno para um desfecho trágico iminente.
O final dramático escolhido poderia ser substituído por qualquer outro final dramático, importado da realidade ou da ficção. A closura escolhida não muda ou compromete a mensagem que o filme inteiro carrega, pelo contrário, acentua. Sem mencionar que aquele poderia ser o final de uma vida que se encerrou naquele dia, daquela maneira, naquele lugar. A história de Remember Me é universal, e, se ambientada em Nova Iorque, por que não ser a história de um nova iorquino como Tyler?
Finalmente, nos últimos minutos de filme, temos a conclusão da idéia de abertura, tanto de Gandhi quanto de Tyler que, por sua vez, parece não mais concordar apenas com a primeira parte, mas com a sentença inteira, ilustrando como a passagem, do filme ou da vida, o fez mudar de idéia. "Gandhi said that whatever you do in life will be insignificant, but it's very important that you do it because nobody else will." (Gandhi disse que o que quer que você faça na vida será insignificante. Mas é muito importante que você faça, porque ninguém mais fará.)
O personagem principal, a quem dá forma Robert Pattinson, chega a reforçar essa idéia, quando solta a frase "You once told me, our fingerprints don't fade from the lives we touch. Is that true for everybody, or is it just poetic bullshit?" (Você me disse uma vez que nossas impressões digitais não se apagam das vidas que nós tocamos. Isso é verdade, ou é só baboseira poética?). E bem, o filme ajuda a mostrar que, de fato, não é apenas baboseira poética.
Ainda com a ajuda da belíssima máxima de Gandhi, essa idéia é mais uma vez verbalizada, sendo entoada no início e no final do filme. No começo, Tyler Keats Hawkings, o protagonista, ensaia a citação de Gandhi, sem terminá-la, e misturando a ela sua própria opinião: "Gandhi said that whatever you do in life will be insignificant. But it's very important that you do it. I tend to agree with the first part." ( Gandhi disse que o que quer que você faça na vida será insignificante. Mas é muito importante que você faça. Eu tendo a concordar com a primeira parte).
O enredo começa a se desenrolar, de forma até bastante previsível na maioria das vezes, mas sempre tocante. Os clichês hollywoodianos de um filme comercial como é Remember me, são até sublimados, permanecem no ponto cego da visão crítica do filme como um todo, pois a mensagem que este filme comercial carrega é a mais artística possível. É a mais bela e poética possível.
Poética, ponto. Esqueçamos a parte baboseira poética, esta deixaremos para os mais cínicos, ou até mesmo aleijados de sensibilidade. O que há de mais notável, de mais palpável nesta vida, do que as marcas invisíveis que deixamos noutras vidas?
O filme me pegou de surpresa. Confesso que entrei na sala de cinema esperando algo levinho, um romance água com açúcar, uma maneira irrelevante de passar o tempo. Saí de olhos marejados. O romance é apenas detalhe, a narrativa gira em torno de algo bem mais grandioso, bem mais abrangente que qualquer tipo de amor.
Gira em torno da própria vida, do destino, do mundo! Gira em torno de nossas próprias cabeças, de nossos umbigos, de acordo com nossos próprios relógios. O que fazemos com nosso tempo, isso que importa. O que o tempo faz conosco, para aqueles visionariamente dependentes.
Fiquei sinceramente fascinada com o filme. Até Robert Pattinson conseguiu convencer! Não digo que sua performance foi digna de Oscar, mas o que ele mostrou na telona foi uma evolução fenomenal do vampiro da saga Crepúsculo para o jovem existencialista que leva o nome de um poeta no seu middle name.
Um astro de sequência adolescente liderando um filme sério. Será que a isto se deve as críticas do filme serem predominantemente negativas? Todas as críticas que li admitem que o filme não é de todo mau, mas ainda assim pendem para o lado ruim. E o engraçado é que todas tocam no mesmo ponto, e, pasmem, usam até as mesmas palavras para depreciá-lo! "A surpresa com a reviravolta do final", o quanto o final do filme "é desrespeitoso e apelativo para a filosofia carpe diem".
Coincidência? Ou será que os críticos simplesmente perderam a habilidade de criticar, e apenas deixaram-se contaminar com os pontos de vista alheios? Por que o final, que insere um fato real na narrativa fictícia, não pode simplesmente sustentar toda a trama, mesmo que balançando-a. Não se trata de uma "reviravolta", palavra precisamente eleita para ilustrar toda crítica desta película, pois o filme inteiro prepara o terreno para um desfecho trágico iminente.
O final dramático escolhido poderia ser substituído por qualquer outro final dramático, importado da realidade ou da ficção. A closura escolhida não muda ou compromete a mensagem que o filme inteiro carrega, pelo contrário, acentua. Sem mencionar que aquele poderia ser o final de uma vida que se encerrou naquele dia, daquela maneira, naquele lugar. A história de Remember Me é universal, e, se ambientada em Nova Iorque, por que não ser a história de um nova iorquino como Tyler?
Finalmente, nos últimos minutos de filme, temos a conclusão da idéia de abertura, tanto de Gandhi quanto de Tyler que, por sua vez, parece não mais concordar apenas com a primeira parte, mas com a sentença inteira, ilustrando como a passagem, do filme ou da vida, o fez mudar de idéia. "Gandhi said that whatever you do in life will be insignificant, but it's very important that you do it because nobody else will." (Gandhi disse que o que quer que você faça na vida será insignificante. Mas é muito importante que você faça, porque ninguém mais fará.)
Assinar:
Postagens (Atom)
