Bom, sem enrolação porque eu tô com sono. Ultimamente só tenho atualizado esse blog com sono mesmo, já que meu único trabalho tem sido fazer uma pequena introdução sobre o rascunho que vou postar e postá-lo.
Então, esse texto eu escrevi há dois anos, mas ainda penso igualzinho. Na verdade o texto é um resumo do que eu penso sobre a grande maioria das coisas, é uma parte do meu mundo dentro de uma casca de rascunho, sacoé? E relendo eu até gostei dele, não lembro porque não postei antes.
Dizer que se gosta de um texto que você mesmo escreveu pode soar um pouco presunçoso, não? Mas bem, como as impressões que passamos de quem somos para as pessoas são duvidosas, vou clarificar aqui. Eu não acho que eu escreva bem. E eu não acho que eu escreva mal. Mas escrevendo bem ou mal eu não posso me poupar da auto-crítica em relação a meus textos, capisce?
Essa explicação toda lembrou o que disse hoje uma amiga minha da Ufma, que tinha sonhado que numa vida passada eu fui casada com Dostoiévski e o espírito dele me possuía e me inspirava a escrever. Bonito, né? Até a parte em que ela disse que no sonho eu também era psicótica e tava desesperada por ajuda. Tudo bem, tudo bem, olha a impressão que minha persona tá causando no inconsciente dos outros.
O rascunho não tava intitulado, mas eu vou colocar aqui (no título da postagem) um que me veio à mente agora. Em inglês, pra combinar com a quantidade de estrangeirismos do texto que segue.
- Rascunho abandonado em: 24/09/08
Na Idade Média a religião era o top of the pops. Tudo era explicado, justificado, feito, deixado de fazer, por ela. Depois veio o Renascimento, clareando todas as idéias e chutando pra longe a bundinha negra das trevas, com suas artes, filosofias e novos saberes. A religião ficou no banco de reserva e o homem girou em torno de seu próprio umbigo, filosofando, especulando e buscando motivos e causas e respostas... então veio a ciência.
Outro dia me perguntaram o que achava da ciência. Eu acho que do jeito que as coisas andam, nosso calendário vai adotar um novo marco: Antes da Ciência - Depois da Ciência. Ela é o novo deus, Cristo é tão last week perto dela, isséqueuacho. O mundo contemporâneo faz da ciência a nova religião, tão autoritária e dogmática quanto qualquer outra. Com seus métodos rigorosos, suas técnicas e seus mandamentos, é o perfeito deus adorado pelos ateus.
Os céticos declaram sua fé nesta, como qualquer fanático por Buda, Gandhi, Lúcifer, ou o que for. Quer dizer, ela é a detentora da verdade e a crença dos descrentes. However, nem tudo é provado pela ciência, isso é sabido (ou pelo menos deveria ser). A ciência é falha, a religião é cega, a filosofia tem astigmatismo e a justiça olha muito mais cores e formas do que deveria. Então você pensa: no que se segurar?
Minha muleta preferida é a dúvida. Talvez eu tenha sido condicionada a duvidar, talvez isso seja um reflexo, but one thing I know: ela é necessária. A dúvida não falha porque ela já é a falha, não cega e enxerga até no escuro.
Despite of all these, minha dúvida não me faz cínica. I do believe in fairies, já vi a verde por aí em alguns rótulos de garrafas, acredito no Nirvana de Kurt Cobain, amém. Acredito no capitalismo que me alegra os bolsos e no socialismo que aleg(r)a a utopia. Acredito em Sócrates, acredito que penso e talvez não exista, acredito no sol, no tempo e em Woody Allen, e acima de tudo, acredito na ignorância.
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Continuando com a era dos rascunhos
Pra ser sincera antes desse rascunho abaixo havia outro esperando a vez de emergir, mas era um pouco pessoal, envolvia muitas pessoas e até citava nomes... foi algo que eu tentei fazer tipo: as frases célebres e memoráveis de alguns conhecidos e amigos. Mas acontece que as circunstâncias mudaram, o tempo tempo tempo tempo passou, e eu não me sinto mais tão à vontade pra expor aqui nomes e pensamentos das pessoas que são citadas ali. Pelo visto nosso referido post nunca chegará a respirar o mesmo ar que os textos-obra-final, minhas condolências, caro rascunho, quem sabe um dia Então... PRÓXIMO!
Esse texto que vocês vão ler abaixo foi escrito em inglês. Eu não lembro exatamente das circunstâncias que me levaram a escrevê-lo, ou o que exatamente eu estava pensando. Hoje, relendo isso que eu escrevi há tanto tempo, me parece até meio sem sentido, mas é o que eu tava pensando na época em que escrevi, deve fazer algum sentido, afinal. Ele tá aí e eu não vejo nada que possa me impedir tanto de postá-lo como rascunho aspirante a obra final. (Desculpem as repetições de palavras, é o sono. Tô caindissono aqui, mas resolvi atualizar pra não ficar muito abandonado). Então sem mais delongas e longas enrolações.
- Rascunho abandonado em: 26/07/2008
The human dilemma
I won't get caught in this sinful spider web
Fed by my guilts and fears
I'll free myself from these ties
And let my stream of consciousness wash it all away
I'll swim through the dark water
of this great river of life
We all end in the same deep ocean
But few are those who can survive death
Pure love has never existed
It's only vanity and desire
The tragical circus of society
Esse texto que vocês vão ler abaixo foi escrito em inglês. Eu não lembro exatamente das circunstâncias que me levaram a escrevê-lo, ou o que exatamente eu estava pensando. Hoje, relendo isso que eu escrevi há tanto tempo, me parece até meio sem sentido, mas é o que eu tava pensando na época em que escrevi, deve fazer algum sentido, afinal. Ele tá aí e eu não vejo nada que possa me impedir tanto de postá-lo como rascunho aspirante a obra final. (Desculpem as repetições de palavras, é o sono. Tô caindissono aqui, mas resolvi atualizar pra não ficar muito abandonado). Então sem mais delongas e longas enrolações.
- Rascunho abandonado em: 26/07/2008
The human dilemma
I won't get caught in this sinful spider web
Fed by my guilts and fears
I'll free myself from these ties
And let my stream of consciousness wash it all away
I'll swim through the dark water
of this great river of life
We all end in the same deep ocean
But few are those who can survive death
Pure love has never existed
It's only vanity and desire
The tragical circus of society
domingo, 5 de setembro de 2010
Nova política momentânea
Oi, tempão sem postar aqui. Achava que esse blog tava abandonado às moscas e ninguém, nem mesmo eu, aparecia mais por aqui. Felizmente eu descobri hoje a ferramenta "estatísticas" (que já nem deve ser nova, por sinal), que me mostrou quantas visitas o blog tem recebido por dia e me permitiu ver que as coisas por aqui não estavam tão abandonadas assim.
Então, não sei por que, mas resolvi adotar uma nova política a respeito daqui. Talvez pelo simples motivo de manter isso ativo mesmo quando eu não tiver tempo ou inspiração. A nova política consiste em postar todos os rascunhos antigos que nunca foram postados e ficaram presos na pasta rascunhos por todo esse tempo. Pois bem, a partir de hoje está decretado que os rascunhos se tornarão obra final. Eles também, bons ou maus, merecedores ou não dos elogios, críticas e comentários de vocês, merecem respirar. A partir de hoje é igualdade para todos, uma democracia de textos meus sendo implantada.
O pior é que alguns dos rascunhos têm razões de sobra pra não terem sido postados: me desagradaram, ou não me agradaram suficientemente pra terem sido publicados. Mas agora serão, vou dar uma de Caio Fernando Abreu e publicar minhas ovelhas negras. Só temo mudar de idéia ao me deparar com uma ovelha negra mal tosada (leia-se um texto tão hediondamente grotesco que meu superego não me permita postar aqui de jeito nenhum) e eu acabe virando uma governante corrupta, escondendo o rascunho dos rascunhos que virarão obra final. Caso isso aconteça, eu mesma torço para que os rascunhos tomem o poder e instaurem uma ditadura rascunhista, impondo seus direitos de aparecer, todos, sem que importe se são ovelhas ou bodes.
-
E, pra fazer valer minha promessa, o primeiro rascunho dos muitos que virão até que acabe este regime de ovelhas negras, bodes, e vacas magras.
- Rascunho abandonado em: 03/09/2007
A graça das coisas
Então, não sei por que, mas resolvi adotar uma nova política a respeito daqui. Talvez pelo simples motivo de manter isso ativo mesmo quando eu não tiver tempo ou inspiração. A nova política consiste em postar todos os rascunhos antigos que nunca foram postados e ficaram presos na pasta rascunhos por todo esse tempo. Pois bem, a partir de hoje está decretado que os rascunhos se tornarão obra final. Eles também, bons ou maus, merecedores ou não dos elogios, críticas e comentários de vocês, merecem respirar. A partir de hoje é igualdade para todos, uma democracia de textos meus sendo implantada.
O pior é que alguns dos rascunhos têm razões de sobra pra não terem sido postados: me desagradaram, ou não me agradaram suficientemente pra terem sido publicados. Mas agora serão, vou dar uma de Caio Fernando Abreu e publicar minhas ovelhas negras. Só temo mudar de idéia ao me deparar com uma ovelha negra mal tosada (leia-se um texto tão hediondamente grotesco que meu superego não me permita postar aqui de jeito nenhum) e eu acabe virando uma governante corrupta, escondendo o rascunho dos rascunhos que virarão obra final. Caso isso aconteça, eu mesma torço para que os rascunhos tomem o poder e instaurem uma ditadura rascunhista, impondo seus direitos de aparecer, todos, sem que importe se são ovelhas ou bodes.
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E, pra fazer valer minha promessa, o primeiro rascunho dos muitos que virão até que acabe este regime de ovelhas negras, bodes, e vacas magras.
- Rascunho abandonado em: 03/09/2007
A graça das coisas
A graça de se tirar uma fotografia sorrindo é quando o sorriso é espontâneo, quando você já estava sorrindo por algum motivo, alguma alegria, e alguém, encantado pelo momento, se oferece para lhe fotografar. Não quando você pega uma câmera e mostra todos os dentes, tentando passar uma alegria plástica. Não funciona. A alegria que você passa com este sorriso forçado é tão falsa quanto a impressão que você quer causar.
A graça em ouvir um "eu te amo" é quando este vem inesperado. Quando a pessoa que lhe presenteia com esta simples frase, diz com significância e verdade, quando a sinceridade pode ser ouvida em cada sílaba. Não quando o "eu te amo" vem à toda hora como um "bom dia" ou um "que horas são?"
A graça em presentear alguém está na vontade de agradar. Na sensação que você espera que o outro sinta, quando esta sensação lhe agrada mais ainda, por simples prazer de deixar alguém feliz.
A graça em escrever um texto está na mensagem que você quer passar, na inspiração que lhe acomete e lhe força a escrever, na vontade que as palavras têm de respirar.
segunda-feira, 14 de junho de 2010
Notas de um qualquer último domingo de maio
E enquanto conversávamos sobre a vida
e os amores que nela se perdem e
se encontram
teus olhos
buscam respostas
nos meus cheios
de perguntas
que te contemplam
Enquanto tu falas
de teu amor uno
eu penso nos meus tantos
que foram únicos um dia
e hoje se fizeram vários
dispersos e dispendidos
já se perderam há muito
no vento que agora assopra
nossas peles
Depois de algum tempo
E algumas canções recheadas de dança
Eu olho preocupada a chuva cair pela janela
as roupas brancas no varal
E se o céu sangrasse
e manchasse
de vermelho
aquela brancura toda?
Volto pra mim e penso
naquilo tudo
em nada
e no quanto sou boba
Achei que estava me levantando
Um ano depois da queda
Uma volta inteira em torno do sol
Tento dispensar as muletas
E saio mancando
pelo chão esburacado
que encontro à minha frente
30 de maio de 2010
e os amores que nela se perdem e
se encontram
teus olhos
buscam respostas
nos meus cheios
de perguntas
que te contemplam
Enquanto tu falas
de teu amor uno
eu penso nos meus tantos
que foram únicos um dia
e hoje se fizeram vários
dispersos e dispendidos
já se perderam há muito
no vento que agora assopra
nossas peles
Depois de algum tempo
E algumas canções recheadas de dança
Eu olho preocupada a chuva cair pela janela
as roupas brancas no varal
E se o céu sangrasse
e manchasse
de vermelho
aquela brancura toda?
Volto pra mim e penso
naquilo tudo
em nada
e no quanto sou boba
Achei que estava me levantando
Um ano depois da queda
Uma volta inteira em torno do sol
Tento dispensar as muletas
E saio mancando
pelo chão esburacado
que encontro à minha frente
30 de maio de 2010
sábado, 5 de junho de 2010
Algumas coisinhas do dia...
"Eles não sabiam como se passeia. Andaram sob a chuva grossa e pararam diante da vitrine de uma loja de ferragem onde estavam expostos atrás dos vidros canos, latas, parafusos grandes e pregos. E Macabéa, com medo de que o silêncio já significasse uma ruptura, disse ao recém-namorado:
- Eu gosto tanto de parafuso e prego, e o senhor?"
"Quanto a mim, só sou verdadeiro quando estou sozinho."
"Despersonalizo-me e tiro-me de mim como quem tira uma roupa. Despersonalizo-me a ponto de adormecer."
- A hora da estrela, C.L.
(Tava separando uns trechinhos desse livro que li essa semana. Esperava algo bem diferente, apesar de ter gostado bastante. Acho que se o livro correspondesse às expectativas minhas, não teria sido escrito por Clarice, ela não poderia tê-lo escrito diferente).
.
Aí vi alguns vídeos da Miranda July (essa mulher é realmente uma inspiração!). Deixo esse aqui:
*Clica* Miranda July + Blonde Redhead
.
Tava mal dormida por ter saído ontem e ido ao alemão hoje cedo. Aprendi que a bebida mais consumida na Alemanha é o café, os alemães ingerem 280l por ano. A famosa bier vem em terceiro, com 250l/ano, e em segundo vem as bebidas refrescantes como água (que eles preferem com gás segundo meu Herr professor) e o iced tea.
Bem aleatório isso que eu falei, hein? Mas enfim, hoje tô achando que alemão nem é tão difícil assim, e francês é até mais. Deve ser porque eu não tenho tanta confiança na atual professora como tinha em Eva, ou só porque francês é une langue vraiment très difficile.
Enfin, meio de mau humor (talvez pelo pouco sono, apesar do cochilo vespertino), tava pior e já melhorou um pouco. Aí tô ouvindo o Devendra.
*Bad girl - Devendra Banhart*
.
Vou desligar, então.
- Eu gosto tanto de parafuso e prego, e o senhor?"
"Quanto a mim, só sou verdadeiro quando estou sozinho."
"Despersonalizo-me e tiro-me de mim como quem tira uma roupa. Despersonalizo-me a ponto de adormecer."
- A hora da estrela, C.L.
(Tava separando uns trechinhos desse livro que li essa semana. Esperava algo bem diferente, apesar de ter gostado bastante. Acho que se o livro correspondesse às expectativas minhas, não teria sido escrito por Clarice, ela não poderia tê-lo escrito diferente).
.
Aí vi alguns vídeos da Miranda July (essa mulher é realmente uma inspiração!). Deixo esse aqui:
*Clica* Miranda July + Blonde Redhead
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Tava mal dormida por ter saído ontem e ido ao alemão hoje cedo. Aprendi que a bebida mais consumida na Alemanha é o café, os alemães ingerem 280l por ano. A famosa bier vem em terceiro, com 250l/ano, e em segundo vem as bebidas refrescantes como água (que eles preferem com gás segundo meu Herr professor) e o iced tea.
Bem aleatório isso que eu falei, hein? Mas enfim, hoje tô achando que alemão nem é tão difícil assim, e francês é até mais. Deve ser porque eu não tenho tanta confiança na atual professora como tinha em Eva, ou só porque francês é une langue vraiment très difficile.
Enfin, meio de mau humor (talvez pelo pouco sono, apesar do cochilo vespertino), tava pior e já melhorou um pouco. Aí tô ouvindo o Devendra.
*Bad girl - Devendra Banhart*
.
Vou desligar, então.
sábado, 29 de maio de 2010
E as rosas no palco?
O próximo ato já começou e não percebi. Perdi-me na peça em que sou atriz principal. Fiz-me espectadora, assistindo do alto, intocável, distante, dispersa. O tempo passou e não vi. Surdei-me aos aplausos; e as vaias, escutei-as em todos os seus tons. Quis fugir dos holofotes, esconder-me. Tentei achar enredo, título. Batizei-a de vida e não liguei para o público. Os ingressos esgotaram-se, mas ingressei apenas uma vez. O contra-regra sou eu, eu sou o contra-regra. Decido a hora de fechar a cortina, e acabou-se o espetáculo.
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Quando o tarde demais começa...
Seria bom se pudéssemos saber quando o tarde demais começa. Se pudéssemos receber algum aviso do tipo "Você está prestes a adentrar a área do tarde demais. Cuidado, esse é um caminho sem volta!", uma espécie de alerta. Assim saberíamos a hora exata de parar, ou quando continuar.
Saber quando é tarde demais para começar algo, tarde demais para terminar algo. Quando será que cruzamos essa fronteira imperceptível? Porque quando percebemos que a ultrapassamos já é tarde demais.
Tarde demais para voltar atrás, tarde demais para avançar, tarde demais para mudar de lugar. Tarde demais para coisas bobas e tarde demais para coisas sérias. Tarde demais para parar de fumar, tarde demais para começar a estudar, tarde demais para começar uma dieta, tarde demais para amar, tarde demais se desculpar, tarde demais para agir.
Por outro lado, nunca parece ser tarde demais para se ficar omisso. A omissão parece ser constante e pontual. Nunca é tarde demais para ser tarde demais. Nunca é tarde demais para cruzar os braços em relação a algo. E é aí, quando nos damos conta dessa verdade da vida, que percebemos que o tempo não está a nosso favor, ele age contra nós.
Cada segundo que se passa é um pouco mais tarde, é um pouco mais perto do tarde demais. Como se a vida constantemente nos empurrasse em direção ao tarde demais. Alguns se deixando levar, outros ainda lutando contra.
Talvez ainda passemos por vários tardes demais durante nossa vida até que atinjamos o último tarde demais.
Os mais pessimistas dirão que até mesmo para essa derradeira hora chegaremos atrasados. Os otimistas, é claro, dirão que o tarde demais não existe, que é uma condição fictícia criada por uns e outros para alertar que nossos atos têm causas e consequências. "Nunca é tarde demais para viver!", eles dirão. Mas a vida, diferente do tarde demais, não é uma via de mão única. Do nada se veio e ao nada se voltará, e o tarde demais, mais cedo ou mais tarde, sempre cruzará nosso caminho.
Então podemos concluir uma coisa a respeito do tão misterioso e inesperado tarde demais: tarde demais nunca começa, tarde demais sempre termina. Tarde demais é uma conclusão, um ponto final. Talvez o último ponto das reticências...
Saber quando é tarde demais para começar algo, tarde demais para terminar algo. Quando será que cruzamos essa fronteira imperceptível? Porque quando percebemos que a ultrapassamos já é tarde demais.
Tarde demais para voltar atrás, tarde demais para avançar, tarde demais para mudar de lugar. Tarde demais para coisas bobas e tarde demais para coisas sérias. Tarde demais para parar de fumar, tarde demais para começar a estudar, tarde demais para começar uma dieta, tarde demais para amar, tarde demais se desculpar, tarde demais para agir.
Por outro lado, nunca parece ser tarde demais para se ficar omisso. A omissão parece ser constante e pontual. Nunca é tarde demais para ser tarde demais. Nunca é tarde demais para cruzar os braços em relação a algo. E é aí, quando nos damos conta dessa verdade da vida, que percebemos que o tempo não está a nosso favor, ele age contra nós.
Cada segundo que se passa é um pouco mais tarde, é um pouco mais perto do tarde demais. Como se a vida constantemente nos empurrasse em direção ao tarde demais. Alguns se deixando levar, outros ainda lutando contra.
Talvez ainda passemos por vários tardes demais durante nossa vida até que atinjamos o último tarde demais.
Os mais pessimistas dirão que até mesmo para essa derradeira hora chegaremos atrasados. Os otimistas, é claro, dirão que o tarde demais não existe, que é uma condição fictícia criada por uns e outros para alertar que nossos atos têm causas e consequências. "Nunca é tarde demais para viver!", eles dirão. Mas a vida, diferente do tarde demais, não é uma via de mão única. Do nada se veio e ao nada se voltará, e o tarde demais, mais cedo ou mais tarde, sempre cruzará nosso caminho.
Então podemos concluir uma coisa a respeito do tão misterioso e inesperado tarde demais: tarde demais nunca começa, tarde demais sempre termina. Tarde demais é uma conclusão, um ponto final. Talvez o último ponto das reticências...
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