domingo, 10 de abril de 2011

Winding road

(It's a monologue. You can't hear what the other person says).

-Sir, step outside this relationship, please.
-Lover's license?
-Sir, I'm afraid I'll have to arrest you.
-You were moving too fast in a low velocity zone. This is a very dangerous road, sir. You don't know were you're going to.
-I'm so sorry, sir, but love is an one way street. Once you're in it, you cannont go back, and there's nothing I can do to help you.
-You were completely out of control, mister!
-There were signs all over the away and you've missed all of them, just because you didn't wanna see, sir. So don't tell me you weren't warned.
-I'll have to ask you to follow me now.
-Hey! Don't make it harder than it already is. Sometimes we just have to stop.
-Where are we going? To the place where all the bad relationships drivers go; oblivion.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Rascunhos quase terminando

Pra acabar logo. O primeiro fala de uma notícia que eu vi no jornal, do menino holandês Ruben van Assow, de nove anos de idade, que foi o único sobrevivente de um acidente de avião que matou 103 pessoas na Líbia. Com essa notícia, eu, que acreditava piamente em destino, comecei a ter dúvidas ventiladas pelo acaso. Porque aquele menino, e justamente aquele menino no meio de tantos? Será que foi algo meant to be ou meramente uma manifestação do caos que rege esse universo? Bem, até hoje não consegui decidir a resposta pra essa pergunta, mas fiz esse texto pra expressar um pouquinho o que borbulhava na minha cabeça à época. Já o segundo texto eu não consigo lembrar o contexto em que nasceu, e olha que foi escrito um dia depois desse do menino sole survivor. E tá muito ruim, mas vai assim mesmo.


Rascunho abandonado em: 18/05/2010

Eram nove da noite e ela estava inquieta. Achava-se estranha de uma forma que não compreendia, como se sua alma estivesse se revirando. Ela não conseguia pensar, não conseguia mais pensar sobre muita coisa, agora ela só sentia. Forte, fraco, bem ou mal, e a intensidade das sensações ocupavam-lhe tanto espaço por dentro, que acaba não sobrando nada para o entendimento do que lhe acontecia. Ela, sempre tão eternizada dentro de si, havia virado uma pessoa instantânea.
Uns dias atrás, havia lido uma notícia no jornal que lhe balançara as estruturas da percepção.


Rascunho abandonado em: 19/05/2010


Ai meu deus, vai, toma logo essa minha alma que dói dentro de mim.
Sem ela, um vazio ocupará espaço dentro de ti.
Um vazio a mais, um vazio a menos, não faz diferença...
Mas se ao menos eu soubesse o que faz diferença.

sábado, 4 de dezembro de 2010

A faxineira

Salut! Mudei de idéia: não vou mais postar a tradução que falei no post passado, pelo menos por agora. Depois se pá eu mudo de idéia. Esse texto que vai hoje é antigo, e o título da postagem é o mesmo do rascunho que segue.

- Rascunho abandonado em: 04/05/2010


Eu era um cara reservado, tranquilo. Um escritor boêmio desses tão característicos que chegava a beirar o clichê. Ultimamente estava passando por uma fase depressiva, meio negra. Passava os dias em casa, de portas e janelas fechadas, saindo apenas para comprar umas cervejas e o jornal diário na banca, nada além da minha rua.
Não estava me importando muito com o modo como estava vivendo, parando a vida, eu acho. As poucas pessoas que faziam parte da minha esfera afetiva estavam começando a ficar preocupadas. Diziam que eu havia emagrecido, que estava assustadoramente pálido, que meus olhos pareciam covas de tão fundos, e que uns primeiros cabelos brancos estavam querendo aparecer. Bem, eu não ligava. Tudo que queria era ficar quieto, na minha, me esconder do mundo.
Ninguém entendia por que eu havia decidido me resguardar num exílio próprio, domiciliar. Nem eu entendia direito, de fato, como isso começou, mas uma vez que começara, já parecia ser para mim a única realidade existente, como se sempre houvesse sido assim.
Os conhecidos reclamavam, os amigos cobravam muito, como se fosse uma obrigação eu estar sempre presente, sempre ali... naquele lugar comum à vista de todos, à vista da sociedade, à vista das bocas e dos ouvidos. Mas aquilo já não me interessava mais, nem as luzes dos holofotes que um dia me ofuscaram os olhos, nem a prestação de contas e as satisfações que todos supunham que eu fosse obrigado a dar. Ninguém entendia que me era permitido sumir, que eu tinha o direito de ir e vir, de aparecer e desaparecer. Tá na constituição.
Meus familiares então, não aguentando mais me ver naquele estado que para eles parecia deplorável, contrataram uma faxineira para limpar minha morada, já que eu não me importava mais em fazê-lo.
Era uma quinta-feira pela manhã quando abri a porta para ela, Antônia. Abri a porta e deixei-a entrar em casa, sem ligar muito para aquilo, e me enfurnei no meu quarto, onde eu podia ficar sem ser incomodado, à sós com meus pensamentos.
Passei lá algum tempo, algumas horas, alguns minutos. Talvez tenha cochilado, era difícil dizer. Tive vontade de pegar uma cerveja, então me levantei e saí do quarto em direção ao resto da casa. E qual não foi minha surpresa ao ver como estava a casa!
Na sala de jantar, Antônia havia pendurado na parede um antigo quadro meu, que há muito tempo jazia esquecido de cabeça para baixo, ocultando meu retrato, soberana. O cômodo todo parecia ser governado por aquele retrato sóbrio, cheio de certezas, alto, acima de todos os móveis.
Fui ao banheiro, e outro susto levei quando vi o espelho. Estava limpo, nítido, e eu pude me ver! Depois de tanto tempo, pude me ver! Sem sujeira nenhuma entre o espelho e eu, sem borrões entre meu reflexo e eu, sem manchas entre eu e mim. Fiquei olhando aquela imagem, admirado, espantado. Meus olhos realmente estavam fundos como covas, como diziam, e contrastando com eles havia um olhar raso que os preenchia. Era eu, e há tanto tempo que não me via! Só então, ao encarar aquela imagem minha que me contemplava, percebi que até mesmo para mim mesmo estava sumido.
Deixei o banheiro e fui a outros cômodos, notei que os móveis estavam ocupando lugares diferentes do habitual, os livros estavam arrumados, a antiga estrutura inteira de organização estava rearranjada, e eu gostei. Havia gostado das mudanças que aquela mulher, que colocava o dever antes mesmo às necessidades de seu corpo, não parando nem para se alimentar enquanto trabalhava, tinha trazido a meu espaço.
Com a faxina, muita poeira que eu nem sabia mais que estava ali se levantou e se tornou perceptível, começou a me incomodar. Isso irritou meu corpo, e meu sistema, que ingeria toda aquela sujeira acumulada, tentou expulsá-la, e eu comecei a espirrar sem parar. Comecei a passar mal, a sufocar. Achei que ia morrer, estava tendo uma crise horrível de alergia. Passei algum tempo agonizando, horas, minutos. Talvez tenha desmaiado, era difícil dizer.
Então aquele mal estar foi esvaecendo, deixando meu corpo, e aos poucos fui me recuperando. Percebi que toda aquela poeira acumulada tinha que levantar e se dispender no ar. Que aquela sujeira tinha que se tornar visível para que eu pudesse enxergar e mandá-la embora. Assim, daquele dia em diante, comecei a respirar melhor.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Interrompemos a nossa programação

Dando um tempinho dos rascunhos para um breve intervalo não-comercial.

Eis que eu tava vendo as estatísticas do blog e percebi que só hoje recebi 11 visitas da Holanda. Como? Só se eles estiverem lendo as poucas coisas escritas em inglês aqui, como as quotes de filmes que eu gosto e transcrevo, ou citações literárias, ou até uns poucos textinhos que arrisquei escrever nessa língua. Além disso, os Estados Unidos são o segundo país que mais me faz visitas por aqui, antes até de Portugal.

Saca só o ranking, se te apetecer:

- Visualizações de página por país desde maio de 2010 -

Brasil: 1.081 visitas
Estados Unidos: 123
Portugal: 79
Holanda: 11
Coreia do Sul: 8
Equador: 7
Rússia: 5
Canadá: 3
Reino Unido: 3
Angola: 2
México: 2

-

Enfim, fico felizona com essas estatísticas. Claro que sei que o mais provável é que eles só tenham parado aqui por acaso, e que assim que percebem que o blog tá escrito em português, saem imediatamente. Sim, eu imagino. Mas só de pensar que tem gente lá do outro lado do mundo olhando algo, e talvez lendo algo, que saiu da minha humilde cabecinha que habita em São Luís do Maranhão; algo que nasceu íntimo, tímido, sussurrado..reflexões minhas sobrevoando os oceanos; expressões das minhas impressões sendo digeridas por pessoa que nem faço idéia de quem sejam, eu penso: PUTA QUE PARIU, internet! Puta que pariu.

Eu, filha da chamada geração 'millenium', cresci junto com a internet. Vivi alguns anos da minha vida sem que ela sequer fizesse parte do cotidiano das pessoas, acompanhei suas evoluções, em velocidade, em capacidade, e continuo acompanhando. Eu, que fiz parte de um mundo onde as pessoas rebobinavam a fita cassete no dedo, cresci ouvindo discos de vinil na radiola e usei celulares analógicos, ainda não perdi minha capacidade de admirar (sic) a globalização do globo.

Todos nós somos cada vez mais parecidos, mais próximos. Estamos mais perto. A todo momento pessoas dos mais diversos cantos do mundo têm acesso à sua rotina, seus pensamentos, seus gostos, sua imagem. Somos todos anônimos vivendo em um constante não anonimato. É muita coisa, é muita informação, é muita gente.

Certo, porém a intenção apriorística desse post nem era discorrer sobre a internet ou sobre o mundo globalizado. Na verdade o que eu queria era apenas avisar que ninguém de nenhum país francófono me visitou ainda, pas encore. E dizer que eu queria publicar a primeira tradução que fiz do francês pro português na vida, um poema de Baudelaire. É claro que agora, depois dessa verborragia intensa, eu preciso ficar em repouso. Então deixo vocês com o link de um vídeo muito bom que vi outro dia, e que fala sobre esses assunto que eu abordei aqui. Vejam mesmo, vale MUITO a pena. E se você teve paciência o suficiente pra ler meu texto até aqui, pode perder seu tempo vendo coisa bem mais interessante, como esse vídeo.


E é issaí!

Clica:

We all want to be young

sábado, 20 de novembro de 2010

Rascunhinho

- Rascunho abandonado em: 22/06/09


Às vezes tinha que segurar os pensamentos na cabeça e não deixá-los escapar à boca, sabia que sairiam numa voz encharcada de emoção que poderia facilmente inundar os olhos, permanecia calada.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Mais rascunhos

São 09:15 da manhã e eu ainda nem dormi. Já comecei a enjoar dessa história de rascunhos, então pra coisa andar mais rápido, agora eu vou postar mais de um por vez. E o bom é que esses que seguem aqui são pequeninos, então não fica um texto enorme. Sem longa introdução dessa vez. Lá vai:


- Rascunho abandonado em: 28/11/08


O espírito da escada

Aproveite antes que seja tarde, porque pode realmente ser. E você nunca sabe, nunca sabe quando é tarde demais. Talvez o cedo é que não exista, por isso viva, viva bem antes. Viva antes de descer a escada, aproveite o corredor.


- Rascunho abandonado em: 15/06/09

Parfois é melhor deixar pra lá, parfois é preciso brigar. Do lado de cá nada é diferente do que acontece acolá. O manto de bondade que te veste cobre a covardia de ser má. Medo de sangue.


- Rascunho abandonado em: 05/09/09

Sentados no chão, cercados por pessoas que dançavam e a festa que acontecia. Eram duas pessoas que se conheciam muito bem, mas ali, e depois de tanto tempo, agiam como dois estranhos que se gostavam levemente.
Alguém precisava tomar iniciativa. Ela o fez no início, e ele tratou de terminar.


-Nós dois somos muito parecidos. Me fala da tua vida, dos teus pensamentos de agora.
-Ah, eu não quero ser chata.
-E tu vai me deixar ser chato sozinho?
-Talvez por isso que a gente nunca tenha dado certo.
-É, eu sei. Por nós sermos muito parecidos.
-Talvez nem fosse pra dar.
-E talvez nunca seja.
-Mas eu queria dizer que te amo. E pedir desculpa, por tá dizendo isso muito atrasado.
- ...
-Isso de falar o que a gente sente realmente deixa a gente se sentindo bem mais leve.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Let there be doubt! And the doubt was made...

Bom, sem enrolação porque eu tô com sono. Ultimamente só tenho atualizado esse blog com sono mesmo, já que meu único trabalho tem sido fazer uma pequena introdução sobre o rascunho que vou postar e postá-lo.
Então, esse texto eu escrevi há dois anos, mas ainda penso igualzinho. Na verdade o texto é um resumo do que eu penso sobre a grande maioria das coisas, é uma parte do meu mundo dentro de uma casca de rascunho, sacoé? E relendo eu até gostei dele, não lembro porque não postei antes.
Dizer que se gosta de um texto que você mesmo escreveu pode soar um pouco presunçoso, não? Mas bem, como as impressões que passamos de quem somos para as pessoas são duvidosas, vou clarificar aqui. Eu não acho que eu escreva bem. E eu não acho que eu escreva mal. Mas escrevendo bem ou mal eu não posso me poupar da auto-crítica em relação a meus textos, capisce?
Essa explicação toda lembrou o que disse hoje uma amiga minha da Ufma, que tinha sonhado que numa vida passada eu fui casada com Dostoiévski e o espírito dele me possuía e me inspirava a escrever. Bonito, né? Até a parte em que ela disse que no sonho eu também era psicótica e tava desesperada por ajuda. Tudo bem, tudo bem, olha a impressão que minha persona tá causando no inconsciente dos outros.
O rascunho não tava intitulado, mas eu vou colocar aqui (no título da postagem) um que me veio à mente agora. Em inglês, pra combinar com a quantidade de estrangeirismos do texto que segue.


- Rascunho abandonado em: 24/09/08



Na Idade Média a religião era o top of the pops. Tudo era explicado, justificado, feito, deixado de fazer, por ela. Depois veio o Renascimento, clareando todas as idéias e chutando pra longe a bundinha negra das trevas, com suas artes, filosofias e novos saberes. A religião ficou no banco de reserva e o homem girou em torno de seu próprio umbigo, filosofando, especulando e buscando motivos e causas e respostas... então veio a ciência.
Outro dia me perguntaram o que achava da ciência. Eu acho que do jeito que as coisas andam, nosso calendário vai adotar um novo marco: Antes da Ciência - Depois da Ciência. Ela é o novo deus, Cristo é tão last week perto dela, isséqueuacho. O mundo contemporâneo faz da ciência a nova religião, tão autoritária e dogmática quanto qualquer outra. Com seus métodos rigorosos, suas técnicas e seus mandamentos, é o perfeito deus adorado pelos ateus.
Os céticos declaram sua fé nesta, como qualquer fanático por Buda, Gandhi, Lúcifer, ou o que for. Quer dizer, ela é a detentora da verdade e a crença dos descrentes. However, nem tudo é provado pela ciência, isso é sabido (ou pelo menos deveria ser). A ciência é falha, a religião é cega, a filosofia tem astigmatismo e a justiça olha muito mais cores e formas do que deveria. Então você pensa: no que se segurar?
Minha muleta preferida é a dúvida. Talvez eu tenha sido condicionada a duvidar, talvez isso seja um reflexo, but one thing I know: ela é necessária. A dúvida não falha porque ela já é a falha, não cega e enxerga até no escuro.
Despite of all these, minha dúvida não me faz cínica. I do believe in fairies, já vi a verde por aí em alguns rótulos de garrafas, acredito no Nirvana de Kurt Cobain, amém. Acredito no capitalismo que me alegra os bolsos e no socialismo que aleg(r)a a utopia. Acredito em Sócrates, acredito que penso e talvez não exista, acredito no sol, no tempo e em Woody Allen, e acima de tudo, acredito na ignorância.