Que pássaro era aquele? Ninguém saberia dizer. Decerto uma espécie exótica que decidiu aventurar-se para longe de seu bando e acabou perdendo-se em terras distantes. "É hora de migrar!", pensou o animalzinho, e pôs e bater suas curtas asas sob as nuvens. Pobre pássaro, foi logo engaiolado por aqueles que o encontraram repousando distraído nos secos galhos da Grande Árvore. Lançou seu vôo em busca de liberdade e encontrou as grades enferrujadas da gaiola no lugar.
O pequeno coração de penas debatia-se pedindo socorro. Desgostoso, entoava seu pranto, mas aqueles que o ouviam pensavam ouvir seu canto, e por isso, julgavam-lhe feliz. À noite, quando o céu vestia-se de estrelas, e a lua vaidosa refletia-se no mar, suspirou seu último suspiro e uma triste nota em "dó" ecoou no ar.
24/05/12
sábado, 28 de julho de 2012
terça-feira, 29 de maio de 2012
Quando morrer, quero virar supernova
Quando morrer, quero virar supernova
Aqui dentro do peito o coração é um pulsar
Logo, serei poeira cósmica,
Enquanto isso, sou estrela do mar
Aqui dentro do peito o coração é um pulsar
Logo, serei poeira cósmica,
Enquanto isso, sou estrela do mar
domingo, 22 de abril de 2012
Nostalgia, saudade, sonhos e crimes
Sonhar com uma música que não se houve há quase 8 anos. Passei o dia tentando lembrar qual seria, revirei os antigos vinis empoeirados em vão, até que por fim pedi ajuda à minha mãe, que conseguiu me apontar o caminho certo. Era Pavarotti. E aí lembrei de todos os domingos em que papai ouvia vinis e mais vinis, cassetes e mais cassetes, de Pavarotti, de tango, de bolero. Geralmente aos domingos ele iniciava essas sessões nostalgia, geralmente deitado em seu quarto à meia luz, provavelmente sozinho. Já na pouca idade, compreendia que ele deveria estar revivendo e relembrando tantos momentos importantes de sua vida.
Talvez eu até ficasse enciumada com aquelas lembranças, não me recordo ao certo, mas sinto que me incomodava perceber que meu pai sentia falta de uma vida anterior àquela que ele tinha conosco, falta da sua juventude e sua época gloriosa, dançando tangos e valsas em salões importantes, com gente importante, em tempos importantes.
Sinto que apareceu em meu sonho desta noite, e por isso esta trilha sonora para ele, mas não me recordo se vi ou não sua figura imponente a figurar no meu inconsciente. Ontem assisti a um Chaplin, Tempos Modernos, e hoje a outro, A dog's life. Papai adorava Chaplin e todo o estilo comédia pastelão, até porque Chaplin foi mais ou menos seu contemporâneo. À época de Tempos Modernos, por exemplo, meu pai tinha 6 anos. Demorei bastante a assistir meu primeiro Carlito. Tenho essa mania de adiar certos clássicos. O Poderoso Chefão, fui terminar de assistir há pouco tempo, a trilogia. Obra prima! Master piece, clássico dos clássicos e três dos melhores filmes de todos os tempos do cinema, ouso dizer. Além disso, outra coisa em comum com o assunto desse post: os filmes preferidos do meu pai.
Dos filmes d'O Poderoso Chefão, os dois primeiros, sublimes, etéreos; o último eu considero um semideus, o que mais se aproxima dos mortais da trilogia. Talvez pelo grande intervalo de tempo em que foi filmado, comparado aos outros. Essa história marcou minha vida de inúmeras maneiras (por eu ter descendência siciliana e meu pai ter sido uma espécie de "padrinho", por ter esse sangue italiano correndo nas veias, e esse nariz que não me deixa negar a ascendência). E aí revirando os vinis, coincidentemente me deparei com um que tinha a trilha.
Filmes, músicas, sonhos, vinis, domingos, tudo convergindo em um único ponto. Verdade que ele sempre está e estará presente na minha vida de diversas formas, mas possivelmente dessa vez tenha sido pelo escândalo que aconteceu recentemente, envolvendo meu irmão mais velho, o primogênito de meu pai.
Papai amava seus filhos incondicionalmente, mesmo sabendo de seus defeitos, e em matéria de defeitos, meu meio-irmão mais velho é hors concours. Meu pai costumava dizer "Marco T. só não engana B. (seu filho/meu sobrinho) porque esse ainda é novo e não faz negócios".
Não escondo e faço questão de não esconder todo meu desafeto com essa parte da família, meus cinco irmãos mais velhos. A questão é que sempre achei que toda desonestidade e mau caratismo deste primogênito de meu pai fosse passar ilesa durante a vida toda, mas feliz e surpreendentemente, não foi isso que aconteceu. Preso em flagrante por suborno e extorsão, meio milhão de reais em jogo. Que vergonha! Manchando um sobrenome que meu pai construiu durante toda a vida. Enquanto o pai era notícia por ser honesto, o filho o é pelo contrário. A verdade é que, como disse minha mãe, se meu pai já não estivesse morto, morreria de vergonha e desgosto com essas notícias.
Lamento muito, e ao mesmo tempo, fico feliz que a justiça tenha sido feita. E bem, segue a vida. Em meio a nostalgias, artes, sonhos, saudades, intrigas e crimes. E vai-se construindo e se escrevendo. Em nome do pai, amém.
Talvez eu até ficasse enciumada com aquelas lembranças, não me recordo ao certo, mas sinto que me incomodava perceber que meu pai sentia falta de uma vida anterior àquela que ele tinha conosco, falta da sua juventude e sua época gloriosa, dançando tangos e valsas em salões importantes, com gente importante, em tempos importantes.
Sinto que apareceu em meu sonho desta noite, e por isso esta trilha sonora para ele, mas não me recordo se vi ou não sua figura imponente a figurar no meu inconsciente. Ontem assisti a um Chaplin, Tempos Modernos, e hoje a outro, A dog's life. Papai adorava Chaplin e todo o estilo comédia pastelão, até porque Chaplin foi mais ou menos seu contemporâneo. À época de Tempos Modernos, por exemplo, meu pai tinha 6 anos. Demorei bastante a assistir meu primeiro Carlito. Tenho essa mania de adiar certos clássicos. O Poderoso Chefão, fui terminar de assistir há pouco tempo, a trilogia. Obra prima! Master piece, clássico dos clássicos e três dos melhores filmes de todos os tempos do cinema, ouso dizer. Além disso, outra coisa em comum com o assunto desse post: os filmes preferidos do meu pai.
Dos filmes d'O Poderoso Chefão, os dois primeiros, sublimes, etéreos; o último eu considero um semideus, o que mais se aproxima dos mortais da trilogia. Talvez pelo grande intervalo de tempo em que foi filmado, comparado aos outros. Essa história marcou minha vida de inúmeras maneiras (por eu ter descendência siciliana e meu pai ter sido uma espécie de "padrinho", por ter esse sangue italiano correndo nas veias, e esse nariz que não me deixa negar a ascendência). E aí revirando os vinis, coincidentemente me deparei com um que tinha a trilha.
Filmes, músicas, sonhos, vinis, domingos, tudo convergindo em um único ponto. Verdade que ele sempre está e estará presente na minha vida de diversas formas, mas possivelmente dessa vez tenha sido pelo escândalo que aconteceu recentemente, envolvendo meu irmão mais velho, o primogênito de meu pai.
Papai amava seus filhos incondicionalmente, mesmo sabendo de seus defeitos, e em matéria de defeitos, meu meio-irmão mais velho é hors concours. Meu pai costumava dizer "Marco T. só não engana B. (seu filho/meu sobrinho) porque esse ainda é novo e não faz negócios".
Não escondo e faço questão de não esconder todo meu desafeto com essa parte da família, meus cinco irmãos mais velhos. A questão é que sempre achei que toda desonestidade e mau caratismo deste primogênito de meu pai fosse passar ilesa durante a vida toda, mas feliz e surpreendentemente, não foi isso que aconteceu. Preso em flagrante por suborno e extorsão, meio milhão de reais em jogo. Que vergonha! Manchando um sobrenome que meu pai construiu durante toda a vida. Enquanto o pai era notícia por ser honesto, o filho o é pelo contrário. A verdade é que, como disse minha mãe, se meu pai já não estivesse morto, morreria de vergonha e desgosto com essas notícias.
Lamento muito, e ao mesmo tempo, fico feliz que a justiça tenha sido feita. E bem, segue a vida. Em meio a nostalgias, artes, sonhos, saudades, intrigas e crimes. E vai-se construindo e se escrevendo. Em nome do pai, amém.
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Sussurros do travesseiro - eu os ouço
Fogo nos braços das árvores
Folhas de outono
Véu das bruxas
O luar
No céu, o rei sentado em seu trono
E milhares de estrelas brilhando no mar.
Janelas abertas
Debaixo das cobertas,
ouço o vento cantar
Enquanto sopra poemas de amor
E uma canção de ninar.
23/03/12
-
Não me pergunte, eu já estava pronta pra dormir quando minha cabeça se ocupou com essas frases, só ouvi atentamente o que ela me pedia que escrevesse.
Postando porque já faz um tempo que não posto nada meu por aqui, e essa foi a última coisa que escrevi. Enfim... há poucos minutos era 1º de Abril. Feliz mês novo, que traga alguma esperança. ~ un peu d'e s p o ir *
Folhas de outono
Véu das bruxas
O luar
No céu, o rei sentado em seu trono
E milhares de estrelas brilhando no mar.
Janelas abertas
Debaixo das cobertas,
ouço o vento cantar
Enquanto sopra poemas de amor
E uma canção de ninar.
23/03/12
-
Não me pergunte, eu já estava pronta pra dormir quando minha cabeça se ocupou com essas frases, só ouvi atentamente o que ela me pedia que escrevesse.
Postando porque já faz um tempo que não posto nada meu por aqui, e essa foi a última coisa que escrevi. Enfim... há poucos minutos era 1º de Abril. Feliz mês novo, que traga alguma esperança. ~ un peu d'e s p o ir *
domingo, 11 de março de 2012
KAOS
Primeiro livro do Millôr que li, sensacional! Senhoras e senhores, deixo com vocês abaixo, a genialidade do nosso querido Millôr Fernandes. A partir do meio do livro, reconheci um pouco de Nelson Rodrigues, mas ainda assim com muito Millôr.
Melhores partes-excelentes:
"No Início, muito antes do caos, muito antes do verbo, muito antes do Início, além do infinito, tempos em que ainda não havia o tempo, onde nem o nada ameaçava se formar, coisa absolutamente inimaginável por ainda não haver imaginação, em pleno vácuo, no seio do incogitado...
Total impalpável e intangível, vazio absoluto entre o inascido e o inascível, ponto inidentificável incomensuravelmente distante de onde as paralelas prometem encontro, onde ninguém... E nem ninguém não existia."
"Vida? O que é isso? Uma coisa terrível, da qual todo mundo morre."
"Dorme plena sob a lua cheia, descansa cheia sob a lua plena, a cidade, sob cobertores de memórias superpostas. Motoristas, banqueiros, vidraceiros, economistas, prendas-do-lar, e comediantes e açougueiros e estudantes, dormem em edifícios construídos sobre fantasmas de casas destruídas. Mortos flutuam nas estruturas, penetrando e saindo de sonhos, passeiam entre corpos e aposentos que não existem mais."
"A superpopulação ressona enquanto sopra lá fora, em golfadas sufocantes, o terral morno, criando rodamoinhos, balés de folhas girando pelas ruas em coreografias sem destino. É como uma noite antiga."
"Hai-kai
Em uma poça da rua
Um vira-lata
Lambe a lua."
"Supermercados fechados no negro graxa da noite deixam ratos passeando sob os reflexos das vitrinas de luxo, há escadas rolantes que não rolam, sonolendo degraus insones sem passos nem pés. Mas há alguém com insônia."
"Na reserva ecológica da Light a plantação de torres elétricas exibe raízes indiferentes às milhares de latas de Coca-Cola no quintal."
"Mais um dia. Ou menos um dia. Quantos tenho?"
"Mais um dia que desponta como prenúncio da escuridão definitiva?"
"E a mim, quem oferecerá o seio? E se alguém o fizer, como confiar no alimento que pode estar envenenado pela ânsia de tantos outros egos que também querem ocupar o espaço disponível nas tetas, cade vez menor? Onde e com quem aprender os passos desse balé à beira do abismo? Em que caverna habitar, quem levar para a ilha deserta, onde se vive em sonhos e devaneios? E como me administro nas horas da dúvida ou da descida ao poço da depressão? Se todos me consultam - a quem consulto?"
"Não sei se Deus morreu, como pregam os hereges, mas o amor, sim. Está morto. E não foi enterrado. Daí os urubus."
"Tudo o que faço é igual a mim."
"Mergulho no fundo do que sinto, fico fascinada e só cato bobagem. É como eu sonho. Aliás sou como todo mundo. Dentro de mim há coisas inacreditáveis que me dão uma plenitude que não existe aqui fora. E quando acordo não sobra nada. Se tento recordar, só lembro bobagem. Acho que esta percepção é minha contribuição original. Por dentro eu sou maravilhosa. O que consigo expor a mim mesma é medíocre como... como um concretismo."
"Toda noite aqui
Sol em vidas distantes
Que vejo e sigo
Na escuridão da insônia
Projeções infinitas
No avesso das pálpebras
Sem som e sem enredo
Gente silenciosa
Andando e andando
Em minha solidão
De esplendor e medo"
"Uma ou duas dezenas de intelectuais de gênio transformam esse pedaço de terra infernal, cheia de pássaros e flores insuportáveis, praias e águas perigosamente limpas, num paraíso de edifícios sem garagem, instalações artísticas de saco de lixo nas calçadas e cenas de bang bang emocionantes com roteiros de Tarantino e interpretações humilhantes para Stalone."
"Há sempre outro horizonte no horizonte. Só desaparecemos no horizonte para os que permanecem."
Melhores partes-excelentes:
"No Início, muito antes do caos, muito antes do verbo, muito antes do Início, além do infinito, tempos em que ainda não havia o tempo, onde nem o nada ameaçava se formar, coisa absolutamente inimaginável por ainda não haver imaginação, em pleno vácuo, no seio do incogitado...
Total impalpável e intangível, vazio absoluto entre o inascido e o inascível, ponto inidentificável incomensuravelmente distante de onde as paralelas prometem encontro, onde ninguém... E nem ninguém não existia."
"Vida? O que é isso? Uma coisa terrível, da qual todo mundo morre."
"Dorme plena sob a lua cheia, descansa cheia sob a lua plena, a cidade, sob cobertores de memórias superpostas. Motoristas, banqueiros, vidraceiros, economistas, prendas-do-lar, e comediantes e açougueiros e estudantes, dormem em edifícios construídos sobre fantasmas de casas destruídas. Mortos flutuam nas estruturas, penetrando e saindo de sonhos, passeiam entre corpos e aposentos que não existem mais."
"A superpopulação ressona enquanto sopra lá fora, em golfadas sufocantes, o terral morno, criando rodamoinhos, balés de folhas girando pelas ruas em coreografias sem destino. É como uma noite antiga."
"Hai-kai
Em uma poça da rua
Um vira-lata
Lambe a lua."
"Supermercados fechados no negro graxa da noite deixam ratos passeando sob os reflexos das vitrinas de luxo, há escadas rolantes que não rolam, sonolendo degraus insones sem passos nem pés. Mas há alguém com insônia."
"Na reserva ecológica da Light a plantação de torres elétricas exibe raízes indiferentes às milhares de latas de Coca-Cola no quintal."
"Mais um dia. Ou menos um dia. Quantos tenho?"
"Mais um dia que desponta como prenúncio da escuridão definitiva?"
"E a mim, quem oferecerá o seio? E se alguém o fizer, como confiar no alimento que pode estar envenenado pela ânsia de tantos outros egos que também querem ocupar o espaço disponível nas tetas, cade vez menor? Onde e com quem aprender os passos desse balé à beira do abismo? Em que caverna habitar, quem levar para a ilha deserta, onde se vive em sonhos e devaneios? E como me administro nas horas da dúvida ou da descida ao poço da depressão? Se todos me consultam - a quem consulto?"
"Não sei se Deus morreu, como pregam os hereges, mas o amor, sim. Está morto. E não foi enterrado. Daí os urubus."
"Tudo o que faço é igual a mim."
"Mergulho no fundo do que sinto, fico fascinada e só cato bobagem. É como eu sonho. Aliás sou como todo mundo. Dentro de mim há coisas inacreditáveis que me dão uma plenitude que não existe aqui fora. E quando acordo não sobra nada. Se tento recordar, só lembro bobagem. Acho que esta percepção é minha contribuição original. Por dentro eu sou maravilhosa. O que consigo expor a mim mesma é medíocre como... como um concretismo."
"Toda noite aqui
Sol em vidas distantes
Que vejo e sigo
Na escuridão da insônia
Projeções infinitas
No avesso das pálpebras
Sem som e sem enredo
Gente silenciosa
Andando e andando
Em minha solidão
De esplendor e medo"
"Uma ou duas dezenas de intelectuais de gênio transformam esse pedaço de terra infernal, cheia de pássaros e flores insuportáveis, praias e águas perigosamente limpas, num paraíso de edifícios sem garagem, instalações artísticas de saco de lixo nas calçadas e cenas de bang bang emocionantes com roteiros de Tarantino e interpretações humilhantes para Stalone."
"Há sempre outro horizonte no horizonte. Só desaparecemos no horizonte para os que permanecem."
sábado, 18 de fevereiro de 2012
Simplicidade
Um passarinho no telhado
Um dia nublado
Uma melodia simples tocando ao fundo
- os pequenos detalhes do grande mundo
Um sorriso descontraído
A dança das folhas de uma árvore
Um barquinho à vela
A onda quebrantando no mar
O pôr-do-sol
Um filhote ao acordar
Um arco-íris no céu
Aviaozinho de papel
A voz de quem se ama
O amarelo vivo da chama
Luz de vela em noite escura
Céu estrelado na fazenda
Neblina numa manhã fria
Pijama de flanela
Cheiro de brigadeiro na panela
O barulho do sino da igreja
Em apenas uma tardezinha
Toda a beleza da vida se aproxima.
-
Isso não tem a pretensão de ser um poema, classifiquem como quiserem, só veio à mente anteontem, naturalmente enquanto eu ouvia a trilha sonora do Carteiro e o Poeta
Um dia nublado
Uma melodia simples tocando ao fundo
- os pequenos detalhes do grande mundo
Um sorriso descontraído
A dança das folhas de uma árvore
Um barquinho à vela
A onda quebrantando no mar
O pôr-do-sol
Um filhote ao acordar
Um arco-íris no céu
Aviaozinho de papel
A voz de quem se ama
O amarelo vivo da chama
Luz de vela em noite escura
Céu estrelado na fazenda
Neblina numa manhã fria
Pijama de flanela
Cheiro de brigadeiro na panela
O barulho do sino da igreja
Em apenas uma tardezinha
Toda a beleza da vida se aproxima.
-
Isso não tem a pretensão de ser um poema, classifiquem como quiserem, só veio à mente anteontem, naturalmente enquanto eu ouvia a trilha sonora do Carteiro e o Poeta
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Adultos
Os adultos fazem negócios.
Têm rublos nos bolsos.
Quer amor? Pois não!
Ei-lo por cem rublos!
E eu, sem casa e sem teto,
com as mãos metidas nos bolsos rasgados,
vagava assombrado.
À noite vestis os melhores trajes
e ides descansar sobre viúvas ou casadas.
A mim
Moscou me sufocava de abraços
com seus infinitos anéis de praças.
Nos corações, nos relógios
bate o pêndulo dos amantes.
Como se exaltam as duplas no leito do amor!
Eu, que sou a Praça da Paixão,
surpreendo o pulsar selvagem
do coração das capitais.
Desabotoado, o coração quase de fora,
abria-me ao sol e aos jatos de água.
Entrai com vossas paixões!
Galgai-me com vossos amores!
Doravante não sou mais dono de meu coração!
Nos demais - eu sei,
qualquer um o sabe -
O coração tem domicílio
no peito.
Comigo
a anatomia ficou louca.
Sou todo coração -
em todas as partes palpita.
Oh! Quantas são as primaveras
em vinte anos acesas nesta fornalha!
Uma tal carga
acumulada
torna-se simplesmente insuportável.
Insuportável
não para o verso
de veras.
- Vladímir Maiakóvski
Têm rublos nos bolsos.
Quer amor? Pois não!
Ei-lo por cem rublos!
E eu, sem casa e sem teto,
com as mãos metidas nos bolsos rasgados,
vagava assombrado.
À noite vestis os melhores trajes
e ides descansar sobre viúvas ou casadas.
A mim
Moscou me sufocava de abraços
com seus infinitos anéis de praças.
Nos corações, nos relógios
bate o pêndulo dos amantes.
Como se exaltam as duplas no leito do amor!
Eu, que sou a Praça da Paixão,
surpreendo o pulsar selvagem
do coração das capitais.
Desabotoado, o coração quase de fora,
abria-me ao sol e aos jatos de água.
Entrai com vossas paixões!
Galgai-me com vossos amores!
Doravante não sou mais dono de meu coração!
Nos demais - eu sei,
qualquer um o sabe -
O coração tem domicílio
no peito.
Comigo
a anatomia ficou louca.
Sou todo coração -
em todas as partes palpita.
Oh! Quantas são as primaveras
em vinte anos acesas nesta fornalha!
Uma tal carga
acumulada
torna-se simplesmente insuportável.
Insuportável
não para o verso
de veras.
- Vladímir Maiakóvski
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